A Luta

Uruguaiana: Assembleia reúne médicos para tratar do desmonte do IPERGS

17/08/2017 15:25

O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (SIMERS, o Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (CREMERS) e a Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS) realizaram nesta quarta-feira (16) assembleia com os médicos credenciados no Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul (IPERGS). O evento ocorreu no auditório da Unimed, em Uruguaiana. Na pauta da reunião, a defasagem no valor dos honorários, o atual desmonte que ocorre no Instituto e a proposta apresentada pelo Governo do Estado, que prevê a remodelação do IPERGS,transformando-o em duas autarquias independentes.

Assembleia IPERGS_URUGIAIANA_foto Nana Hausen_SIMERSPresidindo a assembleia, a diretora do SIMERS Gisele Lobato destacou que o IPERGS não reajusta há seis anos os valores pagos aos mais de 7mil médicos credenciadosSegundo ela, o último acordo com a categoria ocorreu em 2011, quando houve o aumento de 40% no valor das consultas, que passaram a valer R$ 47, e de 20% nos procedimentos. Desde então, não houve qualquer correção, apesar de a inflação oficial (INPC/IBGE) acumulada ser de 46,01% (até abril de 2017), o que exigiria que a consulta atual correspondesse a R$ 68,62. Se a referência do reajuste for pela Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM), que embasa o cálculo da remuneração médica no País, o valor cobrado deveria ser de R$ 91,65.

Os médicos estão deixando de atender pelo IPERGS e isso pode fazer com que mais de um milhão de usuários tenham que procurar o Sistema Único de Saúde, sobrecarregando um sistema que já é deficiente”, salientou a diretora do SIMERS.

Segundo Gisele, a receita do IPERGS aumentou 57% no período de cinco anospassando de R$1,1 bilhão em 2011 para R$ 1,7 bilhão em 2016.Além disso, as contribuições dos beneficiários do IPE-Saúde tiveram reajuste em 2012 e 2016. Apesar dos números, a correção para os médicos conveniados como pessoa física foi de 0% nos valores da tabela-IPE, tanto para consultas como nos procedimentos.

É uma situação degradante, pois médico está pagando para trabalhar, já que precisa arcar com os custos para atender em um consultório, comoimposto de renda, INSS, luz, telefone, água e secretária, entre outros encargosÉ um absurdo a maneira como o Instituto está tratando a categoria, colocando em risco a assistência de boa parte da população gaúcha”, enfatizou Gisele.

Sobre os recentes projetos anunciados pelo Governo Estadual, que transformam o plano IPE-Saúde e a Previdência Social em duas autarquias independentes, a diretora afirmou que o Sindicato analisa que o governador, em vez de propor ações de combate ao desmonte do IPERGS, cria mais burocracia envolvendo o órgão. “A categoria médica espera uma proposta concreta de reajuste das consultas e procedimentos médicos. Estamos aguardando a íntegra deste projeto que foi construído às escondidas, sem o conhecimento do Conselho Deliberativo do próprio Instituto e sem participação da comunidade medica ”, comentou Gisele.

RESULTADO DA ASSEMBLEIA:

No final da reunião, os profissionais decidiram buscar apoio do poder Legislativo, a manutenção do diálogo, como o prazo de 90 dias , para achar soluções, paralisação de 30 dias de todo o atendimento. Caso as negociações não forem satisfatórias, descredenciamento em massa de todos os médicos da autarquia.

O evento contou com a presença dCláudio Conte, representando o CREMERS e a AMRIGS. Promovidas em conjunto pelas três entidades médicas nos meses de julho e agosto, aplenárias ocorreram também em Rio Grande, Passo Fundo, Pelotas, Santa Maria e Ijuí.. As decisões tomadas em todos os encontros serão pauta de assembleia estadual, que ocorre em Porto Alegre nos próximos dias.

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