A Luta

Em cenário de cortes na saúde, governo gasta com cerimônias da Tocha Olímpica

04/07/2016 16:16

A Tocha Olímpica, símbolo dos jogos que serão realizados no Rio de Janeiro em agosto, está percorrendo o Brasil desde o começo de maio. Ao todo, ela irá passar por mais de 325 cidades em todos os estados, incluindo as 27 capitais. Os gastos das cerimônias da passagem da tocha variam de cidade para cidade e são financiados por prefeituras, governo federal e patrocinadores - mais um gasto supérfluo em tempos de cortes na verba da saúde e outras áreas fundamentais. Apenas o Ministério da Cultura (MinC), por meio do programa “Celebrações nas cidades do revezamento da Tocha Olímpica”, repassou R$ 3.570.683,63 para 15 capitais realizarem as cerimônias. Porto Alegre recebeu R$ 249.240 do MinC e a Prefeitura arcou com mais R$ 10.385. A cerimônia de Brasília teve um custo total de R$ 4,3 milhões, sendo R$ 3,8 milhões desembolsados pelo governo do Distrito Federal e o restante pago pelo Governo Federal. O problema não é investir dinheiro público em esporte e cultura, mas o fato do Estado investir mais dinheiro no jogos Olímpicos em um cenário de crise econômica em que o Governo Federal está fazendo uma série de cortes no orçamento - só a área da saúde já perdeu R$ 5,3 bilhões neste ano. Apenas com os valores investidos nas cerimônias da tocha olímpica já seria possível oferecer muitos procedimentos de saúde fundamentais para a população.   Infográfico - Tocha Olímpica (1) A tocha passará por 27 cidade gaúchas entre os dias 3 e 9 de julho. Dessas, cinco oferecerão uma cerimônia. A maior cerimônia do Estado deve acontecer em Porto Alegre no dia 7 de julho. Serão mais de 20 atrações espalhadas pela cidade durante todo o dia, incluindo apresentações de música e dança, oficinas e feiras.

Mais gastos com os Jogos Olímpicos

Até o momento, o Governo Federal investiu diretamente R$ 2,4 bilhões nos Jogos Olímpicos de 2016. Valor que poderia pagar, aproximadamente, o salário médio de mais de 3 mil clínicos gerais durante dez anos. Para completar, no dia 30 junho, o Governo Federal liberou R$2,9 bilhões para o Rio de Janeiro a realizar os Jogos Olímpicos. No dia 17 do mesmo mês, o Governo do Rio de Janeiro decretou estado de calamidade pública em função da crise que atinge as finanças do estado. De acordo com o Governo do RJ, a crise impede que o Estado cumpra obrigações assumidas em relação as Olimpíadas e Paraolimpíadas e teme um "total colapso na segurança pública, na saúde, na educação, na mobilidade e na gestão ambiental".
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