Operação Litoral Norte: Simers visita serviços de emergência e ouve médicos em Imbé, Tramandaí e Osório
Defesa

Operação Litoral Norte: Simers visita serviços de emergência e ouve médicos em Imbé, Tramandaí e Osório

Profissionais relatam desafios na regulação de pacientes, remuneração e organização da rede de emergência

Compartilhe

10/03/2026 10:08

O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) realizou, nos dias 5 e 6 de março, mais uma etapa da Operação Litoral Norte, com visitas a serviços de urgência e emergência em Imbé, Tramandaí e Osório. A agenda contou com a participação das diretoras do Núcleo de Médicos de Emergência, Camila Toscan e Carmen Lúcia, que percorreram unidades de pronto atendimento e hospitais para dialogar com os profissionais e avaliar as condições de trabalho e assistência.

Durante as visitas, as médicas do Simers apresentaram a atuação do Sindicato e reforçaram a importância da aproximação com os profissionais que atuam na região, marcada por forte sazonalidade no atendimento, com aumento significativo da demanda no verão. 

Estrutura básica e fluxo de pacientes em Imbé 
No Pronto Atendimento 12h Santa Terezinha, em Imbé, a equipe identificou um serviço com movimento reduzido fora da alta temporada. A unidade conta com dois médicos contratados contratados como pessoa jurídica (PJ) pela empresa Promed.

De acordo com os profissionais, a estrutura atende ao básico do atendimento, mas há necessidade de melhorias, especialmente na sala vermelha. Os profissionais também destacaram a ausência de pediatra, o que dificulta o fechamento de escalas com médicos com RQE. Apesar disso, afirmaram que o ambiente de trabalho é considerado positivo.

Na Policlínica de Imbé – Pronto Atendimento 24h, que também atende urgência e emergência, trabalham médicos sócio-cotistas da Promed e concursados do município. Segundo relatos, os pagamentos estão em dia, mas os profissionais apontam que concursos municipais em algumas cidades do litoral não são financeiramente atrativos. 

A unidade conta com ventiladores mecânicos em funcionamento e registra atendimentos frequentes relacionados à saúde mental e dependência química, com apoio do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) da região. “No inverno, aparecem mais casos respiratórios e infartos, e os atendimentos acabam sendo mais longos”, explicou um médico.

Outro ponto destacado foi a importância de visitas frequentes do Sindicato. “É importante que o Simers venha mais vezes, porque a realidade muda muito conforme a temporada”, avaliou um profissional.

Segurança e escala médica em Tramandaí
Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24h de Tramandaí, médicos relataram episódios de agressão verbal e consideram que a segurança existente é insuficiente para lidar com situações de tensão.

A escala conta com cinco médicos, mas há dificuldades para completar o atendimento pediátrico. Segundo os relatos, a empresa responsável pelo serviço nem sempre consegue manter pediatras suficientes e acaba substituindo os profissionais por clínicos gerais.

Os profissionais também apontam que o valor da hora trabalhada está defasado e destacam a necessidade de maior capacitação para a classificação de risco realizada pela equipe de enfermagem do local.

No Hospital de Tramandaí, referência regional com atendimento 100% pelo SUS, três médicos atuam na emergência geral e um na emergência pediátrica. A unidade passa por obras para ampliação da estrutura, incluindo a construção de uma nova UTI com dois andares e capacidade final de até 40 leitos.

O hospital é referência para diversas cidades da região e recebe casos de maior gravidade encaminhados pelas UPAs. Entre as demandas apontadas pelos profissionais está a implantação de um serviço de hemodiálise, que poderia ajudar a reduzir a ocupação de leitos de UTI.

LEIA MAIS

Simers avalia condições de trabalho em unidades de saúde do Litoral Norte

Litoral Norte: Simers visita emergências e acolhe demandas de médicos

Torres: Lei garante recursos para pagamento de pediatras do Hospital Nossa Senhora dos Navegantes

Remuneração baixa 
O Hospital São Vicente de Paulo, em Osório, é referência para diversos municípios da região. Desde outubro de 2022, a instituição está sob gestão do governo estadual após decisão judicial. Na emergência, três médicos atuam em plantões. 

Os profissionais relataram melhorias na organização do hospital nos últimos anos. Apesar da avaliação positiva, os profissionais apontam dificuldades relacionadas ao encaminhamento de pacientes. Segundo eles, casos são enviados ao hospital sem necessidade ou sem passar pelo fluxo adequado, o que acaba gerando sobrecarga.
Também foram mencionados problemas estruturais da rede, como a ausência de leitos de retaguarda e dificuldades de transferência para outras unidades da região.

Durante as conversas com os profissionais, também surgiram preocupações relacionadas ao cenário da medicina de emergência no Estado. Médicos apontaram dificuldades de formação clínica básica e a entrada de profissionais sem experiência suficiente para lidar com situações complexas. Além disso, foram mencionados problemas como plantões mal remunerados, terceirizações e rotatividade de empresas contratadas, o que impacta a estabilidade das equipes.

Na UPA 24h Sérgio de Azevedo Saraiva, em Osório, administrada pelo Instituto Maria Schmitt (Imas), três médicos atuam no atendimento, incluindo pediatra. A unidade não enfrenta superlotação e os profissionais avaliam que a equipe consegue organizar o fluxo de pacientes.

Entre as principais preocupações está a remuneração. Médicos relataram valor-hora abaixo do normal e destacaram a importância de estabelecer uma remuneração mínima obrigatória para a categoria. 

Atuação do Simers será ampliada 
Durante a Operação, a equipe do Sindicato identificou realidades distintas entre as unidades, mas também desafios em comum, especialmente relacionados ao fluxo de pacientes e à regulação para encaminhamentos especializados. 

A coordenadora do Núcleo de Médicos de Emergência do Simers, Camila Toscan, destacou que a principal preocupação relatada pelos profissionais é a dificuldade de transferência de pacientes que necessitam de atendimento de maior complexidade. “Há muita reclamação sobre a questão do encaminhamento. Muitas vezes o paciente precisa de um serviço especializado e isso acaba demorando ou não acontecendo no tempo necessário”, afirmou.

Também foram observadas diferenças no movimento de pacientes entre os serviços visitados, com algumas unidades registrando superlotação enquanto outras apresentam menor demanda, o que pode indicar necessidade de maior organização da rede. 

“Alguns locais estão bem cheios, lotados, enquanto outros aparecem mais ociosos. Isso mostra que talvez falte uma organização ou uma estruturação melhor da rede de atendimento”, avaliou. Em relação às condições de trabalho, os médicos apontaram principalmente a defasagem no valor pago pelos plantões, mas não houve relatos significativos de falta de materiais ou medicamentos nas unidades.

O Simers seguirá atento às demandas apontadas pelos profissionais e atuará junto aos gestores para fortalecer a rede de atendimento e valorizar o trabalho médico na região.

 

Simers: coragem para defender e gestão para avançar! Associe-se!

Tags: Litoral Litoral Norte Atenção Primária à Saúde Núcleo de Pediatria do Simers Núcleo de Medicina de Emergência

Aviso de Privacidade

O Simers utiliza cookies e tecnologias semelhantes, como explicado em nossa Política de Privacidade, para melhorar a experiência de usuário. Ao navegar por nosso conteúdo, o usuário aceita tais condições.

Ver Política