Focado em defender os direitos dos médicos e ouvir suas demandas, o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) realizou uma série de visitas em unidades de saúde e hospitais do Litoral Norte nesta quinta-feira, 26, e sexta, 27. Durante a ação, a entidade médica buscou conhecer a realidade de cada local visitado e acolheu os apontamentos dos profissionais que atuam na região sobre questões salariais, escalas de trabalho e segurança.
Na quinta-feira, a diretora e coordenadora do Núcleo de pediatria, Valerie Kreutz, e a conselheira Lúcia Osório, acompanhadas da assessoria de relações governamentais da entidade médica, visitaram emergências em Xangri-lá e Capão da Canoa. Nas visitas, foram distribuídos materiais do Sindicato e cartazes da campanha de combate à violência contra os médicos.
Hospital Life Plus
Durante a manhã, a equipe do Simers iniciou as visitas pelo Hospital Life Plus, no centro de Xangri-lá. No local, a equipe ouviu uma médica plantonista que estava no seu último dia de trabalho e a diretora técnica, Alessandra Junqueira. O hospital atende pacientes de convênios particulares e do IPE Saúde, e presta alguns atendimentos - como na hemodinâmica - a pacientes encaminhados pelo SUS via Gerint e Gercon. Não há registro de atrasos em pagamentos. Os profissionais são sócios-cotistas da empresa Promed.
Segundo relatos, os clínicos atendem entre 40 e 50 pacientes por dia. Boa parte dos pacientes são idosos. Ao todo, o local tem cerca de 10 médicos atendendo, sendo um clínico por dia. Na emergência, não há um profissional de segurança, apenas no centro clínico, que fica em outra portaria. O Hospital tem instalações modernas, nas quais há espaço para UTI, centro cirúrgico e oncologia, embora ainda não estejam em operação plena. Alguns atendimentos especializados, como traumatologia, são realizados por profissionais parceiros que atuam no espaço do hospital.
O Sindicato esteve também no Posto 24h de Xangri-Lá. No momento da visita, não havia médico disponível para atender a equipe. Diante disso, a comitiva entrou em contato com os colegas, solicitando que encaminhem suas considerações, e informou que retornará em momento oportuno para nova visita.
UPA de Capão da Canoa
Na sequência, a comitiva do Sindicato se deslocou até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Capão da Canoa. No local, a equipe constatou que há servidores estatutários e funcionários contratados pela empresa terceirizada Adex Saúde. Na unidade, são prestadas entre 70 e 90 consultas nos plantões de 24 horas. Atuam na UPA quatro médicos responsáveis pelos plantões de 24 horas e um em regime de 12 horas. Ao todo, o local conta com oito leitos de observação e outros três na sala vermelha (pacientes em estado grave).
Hospital Santa Luzia
Ainda em Capão da Canoa, durante a tarde, o Simers visitou o Hospital Santa Luzia. A comitiva do Sindicato foi recebida pelo diretor-executivo Samuel Meoti, pelos clínicos Giovani Sassi e Rodrigo Moro Palmeira e pelo pediatra Felipe Antunes da Silva. O hospital é referência para cerca de 300 mil pessoas que residem e frequentam o Litoral Norte.
Conforme a equipe do hospital, no local são realizados, em média, três partos por dia. O Santa Luzia conta com cerca de 20 clínicos (dois por dia); sete pediatras que atuam 24 horas; dois anestesistas todos os dias; oito traumatologistas e 10 radiologistas. A média de consultas pediátricas no veraneio é de 60 a cada 12 horas, caindo para 40 no inverno. Já as consultas com clínicos variam entre 50 e 60 a cada 12 horas. O hospital atende convênios e emergência SUS – o que não for emergência vai para a UPA. O Santa Luzia tem porteiro e câmera de segurança na entrada.
Os profissionais relataram preocupação com a mudança de estação, pois, embora no verão o volume de atendimentos seja maior, no inverno são recebidos casos mais críticos. O local conta com apenas um respirador e precisa de mais equipamentos de alto fluxo (suportes respiratórios não invasivos).
Hospital Nossa Senhora dos Navegantes
Na sexta-feira, a conselheira Lúcia Osório e a assessoria de relações governamentais do Sindicato deram continuidade às visitas nas emergências. A primeira parada foi no Hospital Nossa Senhora dos Navegantes, em Torres. A equipe foi recebida pelo clínico Max Renato Martins e pelo pediatra Antônio Costa dos Santos. No hospital, atua um médico plantonista que atende SUS e outro que atende convênios. Atualmente, o hospital conta com reforço de mais um profissional da Operação Verão, que fica até as 22 horas, mas, em breve, deve encerrar o período de atuação.
Também há uma Unidade Pediátrica de Internação e dois pediatras plantonistas. Na pediatria, as consultas ficam abaixo de oito por dia. Diariamente, são realizados, em média, de três a quatro partos. A equipe conta com dois obstetras, dois cirurgiões gerais e três anestesistas. Segundo relatos, o hospital recebe muitas crianças em estado grave vindas de outras localidades, como Arroio do Sal.
O hospital atende pacientes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e da sala vermelha (em estado grave). Assim como em outros locais visitados pelo sindicato, no Nossa Senhora dos Navegantes também há reclamações de problemas com a regulação do Samu. O Simers se disponibilizou para tentar costurar uma agenda propositiva no sentido de sanar os problemas relatados.
O local sofre com superlotação frequente e, na sexta-feira, operava no limite da capacidade com os três leitos de observação ocupados. O hospital também conta com 10 leitos de UTI. A referência para neurocirurgia é o Hospital Santa Luzia, de Capão da Canoa. Há médicos terceirizados pela empresa Hospitalize e Vincitore. Alguns médicos relataram que se sentem vulneráveis e dizem que gostariam, inclusive, que fossem instaladas câmeras nos consultórios.
Pronto Atendimento 24h
O PA conta com quatro médicos atuando em horários diferentes, em regime de escala. No local, são atendidas entre 35 e 50 consultas a cada 12 horas, em média. A empresa responsável pelos profissionais do PA é a InSaude.
No local, foi constatado que eventualmente há falta de medicamentos. Na unidade, só há um segurança patrimonial e existem relatos de agressões verbais de pacientes quando os médicos não atendem seus pedidos. No fim do ano, houve superlotação, mas com a queda da temperatura o volume reduziu. Um dos exames relatados como de difícil acesso é a ultrassonografia. Os médicos do PA também relataram que estão tendo problemas para estacionar seus automóveis, uma vez que não há um local reservado para eles, o que os deixa sujeitos a multas.
Missão cumprida
A conselheira Lúcia Osório avaliou positivamente a operação realizada pelo Sindicato no Litoral Norte ao longo dos dois dias, ressaltando o aproveitamento obtido nos diálogos com os profissionais.
“A operação foi muito proveitosa, pois tomamos conhecimento de tudo que está acontecendo no litoral. Nós conseguimos visitar hospitais e Unidades de Pronto Atendimento para conhecer a realidade de cada um. A grande dificuldade que identificamos é que muitos locais contam com apenas um profissional realizando múltiplas atividades, como no Hospital Nossa Senhora das Graças, de Torres, onde o pediatra atende o fluxo, atende a sala vermelha, a internação e ainda atende a sala de parto. Isso pode gerar complicações. Agora, temos muita coisa para pensar e muito a fazer para podermos dar uma resposta aos médicos, que nos receberam tão bem”, frisou Lúcia Osório.
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