O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) promoveu, nesta quinta-feira, 23, a palestra “Inteligência Artificial na Medicina: como usar a tecnologia a seu favor?”, no auditório do Sindicato. O encontro foi conduzido pelo médico hematologista pediatra João Pedro Locatelli Cezar e abordou aplicações da inteligência artificial na prática médica, além de possibilidades e cuidados relacionados ao uso da tecnologia.
O evento foi realizado na sequência de uma reunião do Simers com ligas acadêmicas de Pediatria para aproximar estudantes da entidade. Estiveram presentes representantes de oito universidades e foram discutidos projetos, demandas e ações conjuntas.
Durante a palestra, João apresentou ferramentas que podem auxiliar os profissionais em diferentes etapas do atendimento. Entre os exemplos estão sistemas de transcrição de consultas e prontuários, plataformas para pesquisa de evidências científicas, recursos para análise de informações e tecnologias capazes de auxiliar na medição de sinais vitais.
O médico destacou que a inteligência artificial pode contribuir para tornar o trabalho mais eficiente e também contribuir na qualidade do atendimento. Um dos exemplos apresentados foi o uso de ferramentas que transcrevem a consulta e organizam as informações no prontuário, reduzindo o tempo dedicado ao preenchimento manual dos registros. “Aviso os meus pacientes da forma mais sincera possível, digo ‘estou utilizando uma IA para transcrever a consulta para que eu possa focar no que importa, que é o teu cuidado’”, explicou.
Outra aplicação demonstrada foi o uso de ferramentas de pesquisa científica, capazes de buscar evidências e artigos sobre temas específicos em bases de dados. Segundo o médico hematologista pediatra, esses recursos podem auxiliar na atualização dos profissionais e na tomada de decisões baseada em evidências.
A palestra também abordou o uso da IA para melhorar a comunicação com pacientes. Entre os exemplos apresentados, esteve a criação de materiais explicativos adaptados à linguagem de crianças, além da possibilidade de utilizar imagens geradas para auxiliar no acompanhamento de informações como diários de alimentação.
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Tecnologia como ferramenta
Cezar ressaltou que a tecnologia deve ser utilizada como apoio ao trabalho médico, sem substituir o julgamento clínico do profissional. “A IA não vai substituir o profissional médico, mas ela vai substituir habilidades”, afirmou.
O palestrante também apresentou ferramentas que podem auxiliar estudantes e médicos na organização de casos clínicos, estudos, revisão de artigos e elaboração de materiais de apoio. Para ele, a tecnologia pode reduzir tarefas repetitivas e permitir que os profissionais dediquem mais tempo ao cuidado dos pacientes.
Ao final, o médico respondeu às dúvidas dos participantes sobre como começar a utilizar ferramentas de inteligência artificial. A recomendação foi iniciar com uma única ferramenta e explorar seus recursos antes de adquirir equipamentos ou serviços adicionais.
Também foram discutidos aspectos relacionados à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e à segurança das informações dos pacientes. João explicou que utiliza ferramentas específicas para transcrição de prontuários e informa o paciente sobre o uso da tecnologia, destacando que riscos relacionados a vazamentos existem em diferentes formas de armazenamento de dados.
Ao encerrar o encontro, João resumiu sua visão sobre a relação entre profissionais e inteligência artificial: “Não tenho medo da inteligência artificial, tenho medo da desinteligência natural”, concluiu.
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