
Divulgação: Amália Ceola - ASCOM Simers
O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) deu continuidade, nesta quinta-feira (9), às visitas de monitoramento nas unidades de saúde de Porto Alegre durante o processo de transição da gestão dos serviços, que foram transferidos da Associação Beneficente Divina Providência para o Instituto de Atenção à Gestão em Saúde (IAG), por meio da Prefeitura de Porto Alegre.
A conselheira do Simers, Denise Affonso, percorreu 10 unidades de saúde, entre elas Bom Jesus, Vila Brasília, Tijuca, Jardim Carvalho, Esmeralda, Herdeiros, Chácara da Fumaça, Jardim Fapa e Wenceslau Fontoura. O objetivo foi verificar as condições de atendimento à população e o impacto da mudança de gestão na rotina das equipes de saúde.

Durante as visitas, o Sindicato recebeu relatos de pacientes que apontam dificuldades no acesso aos serviços, demora no atendimento e preocupação com a redução do número de médicos nas unidades.
Na Unidade de Saúde Tijuca, uma paciente afirmou que aguardava atendimento desde o início da manhã apenas para apresentar o resultado de um exame realizado anteriormente. "Eu vim às sete horas da manhã para mostrar um exame que fiz na Bom Jesus. Passou todo mundo na minha frente e nem para a triagem tinham me chamado. Só às 15h15 é que disseram que serei atendida. Tem apenas uma médica para atender todo esse público. Isso é um absurdo", relatou.
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Na Unidade de Saúde Chácara da Fumaça, o paciente Marcos Antônio Dantas afirmou que a falta de médicos e a troca constante de profissionais podem comprometer a continuidade do seu tratamento. "Consegui encaminhamento para operar a catarata, mas posso perder a cirurgia porque preciso da liberação de um cardiologista e não tem especialista. A médica que acompanhava meu tratamento também não está mais aqui. Agora que eu estava conseguindo organizar tudo, vou ter que começar de novo com outro profissional. Essa troca constante de médicos prejudica quem precisa de acompanhamento contínuo", disse.
Além dos relatos dos usuários, trabalhadores das unidades também apontaram dificuldades relacionadas à reorganização das equipes após a troca da gestão. Segundo os profissionais, foram registrados casos de desvio de função, com colaboradores executando atividades que não fazem parte de suas atribuições, como o transporte de resíduos, em razão da falta de equipes de apoio.

O Simers seguirá defendendo a valorização dos médicos indo nos locais de trabalho e acionando os órgãos competentes na tentativa de reverter o atual cenário na Atenção Primária de Porto Alegre.

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