
Entre os dias 18 e 20 de março, o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) percorreu cinco cidades das regiões dos Vales do Rio Pardo e Taquari para mapear a realidade da medicina de emergência. A agenda revelou um cenário de alta demanda, relatos de insegurança e pressão por atestados, além de dificuldades estruturais no fluxo de transferências para hospitais de referência.
A mobilização, organizada pelo Núcleo de Medicina de Emergência, passou por Santa Cruz do Sul, Monte Alverne, Lajeado, Estrela e Teutônia. Participaram da ação os conselheiros Erich Brack, Karen Koff da Costa e Cristiano Pilz, acompanhados pelas assessorias jurídica e de relações governamentais da entidade. O foco central foi ouvir os profissionais sobre condições de trabalho, segurança e impacto da sobrecarga assistencial no interior do Estado.
Pressão externa sobre profissionais
Na sexta-feira (20), a agenda seguiu pela manhã em Lajeado, com a participação do conselheiro do Simers Cristiano Pilz. Na UPA de Lajeado, que registra média de 250 atendimentos por dia e pode chegar a 300 em períodos de maior movimento, os médicos relataram que o principal incômodo não está na demanda ou na remuneração, mas na pressão externa sobre o trabalho das equipes. Também foram apontadas dificuldades para transferir pacientes ao Hospital Bruno Born, especialmente pela falta de leitos.
O Simers também tentou incluir o Hospital Bruno Born no roteiro, mas foi informado previamente de que a diretoria não autorizou a visita.
Atestados
Em Estrela, à tarde, o roteiro contemplou o Hospital Estrela e o Pronto de Atendimento Ambulatorial Pro Vale 24h. No Hospital Estrela, os médicos relataram alta procura por casos de menor gravidade, episódios de agressividade e ameaças por parte de pacientes, além da ausência de segurança dedicada no local. A ala de convênios registra cerca de 12 atendimentos a cada seis horas, enquanto o atendimento pelo SUS soma em média 60 pacientes por dia.
No Pronto de Atendimento Ambulatorial Pro Vale 24h, em Estrela, que atende parte da demanda do SUS por contrato, a média é de 150 pacientes por dia. Os profissionais relataram alto fluxo, pressão constante dos pacientes e cobrança frequente por atestados.
A agenda também incluiu uma visita ao Hospital Ouro Branco, em Teutônia, referência para municípios da região. A unidade registra cerca de 90 atendimentos por dia e, segundo os profissionais, conta com boa estrutura e suporte de especialistas em regime de sobreaviso. Apesar da avaliação positiva, os médicos relataram dificuldades para encaminhamento de pacientes que necessitam de UTI, em razão da limitação de leitos de retaguarda na região.
Para o conselheiro do Simers Cristiano Pilz, a agenda reforçou a importância da presença do Sindicato no interior.
“É importante que o Sindicato faça esse tipo de ação para ouvir os colegas e entender a realidade de cada serviço. Nesta região, que é relativamente bem estruturada, não vimos problemas mais graves, como atrasos de pagamento. As principais demandas apareceram mais no fluxo, na triagem e na pressão sobre as equipes”, afirmou Cristiano.
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