
As mudanças propostas pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) para a Medicina do Tráfego pautaram a Assembleia Geral Extraordinária (AGE) promovida pelo Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), nesta terça-feira, 28. Realizado de forma presencial e também on-line, o encontro reuniu médicos da especialidade para discutir os impactos das alterações no exercício profissional, além de temas relacionados à remuneração e às contribuições previdenciárias.
A reunião foi conduzida pelo coordenador do Núcleo de Medicina do Tráfego, Eduardo Boger, que apresentou os possíveis cenários para a especialidade diante das mudanças propostas pela Senatran. Entre eles, a possibilidade de migração do sistema para consultórios privados, eventuais impactos na remuneração e até propostas que chegaram a prever a dispensa do exame médico para condutores – posteriormente revertidas com atuação da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet).
Segundo Boger, o momento exige mobilização da categoria. "O histórico não era bom. Era de desvalorização da profissão, não só da remuneração, mas também da forma como a categoria era tratada pelo Detran. Temos essa força e precisamos nos organizar", afirmou.
LEIA MAIS
Simers e Abramet discutem mudanças que afetam médicos do tráfego
Seminário sobre segurança no trânsito conta com a participação do Simers
NOTA TÉCNICA: Os riscos da renovação da CNH sem exame médico
O coordenador também apresentou o trabalho desenvolvido pelo Núcleo de Medicina do Tráfego, reestruturado em 2025.
Pendências previdenciárias
A assembleia também abordou as pendências referentes às contribuições previdenciárias ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e às inconsistências no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) dos médicos credenciados. A assessoria jurídica do Simers explicou que os recolhimentos foram realizados, mas houve falhas no envio das informações ao sistema entre 2020 e 2025, situação que pode ter prejudicado o acesso de profissionais a benefícios previdenciários.
O Sindicato informou que irá oferecer suporte para a regularização individual dos registros, além de avaliar a adoção de medidas judiciais para buscar eventual ressarcimento dos prejuízos causados aos médicos.
Deliberações da categoria
Durante o debate, os médicos manifestaram preocupação com a preservação da especialidade e defenderam a manutenção do modelo atual de atuação. "Estamos em um momento desafiador, como se a nossa especialidade estivesse deixando de existir. Precisamos garantir a manutenção da Medicina do Tráfego", afirmou uma das participantes. Outro médico reforçou a preocupação com o futuro da área: "Sair do CFC é praticamente o fim da especialidade."
Também foram levantadas questões relacionadas à remuneração e às dificuldades enfrentadas por médicos mais jovens para ingressar nos Centros de Formação de Condutores (CFCs). Para Boger, a valorização da especialidade também passa pela renovação da categoria. Segundo ele, melhores condições de remuneração podem permitir uma redistribuição da carga de trabalho, abrindo espaço para o ingresso de novos profissionais.
Ao final da votação, a maioria dos participantes deliberou pela continuidade e manutenção do formato atualmente adotado. O Simers seguirá acompanhando as mudanças propostas para a Medicina do Tráfego e atuando na defesa dos médicos credenciados ao Detran/RS, com foco na valorização da especialidade, na preservação das condições de trabalho e na garantia de um exercício profissional seguro e qualificado.
Simers: coragem para defender e gestão para avançar! Associe-se
O Simers utiliza cookies e tecnologias semelhantes, como explicado em nossa Política de Privacidade, para melhorar a experiência de usuário. Ao navegar por nosso conteúdo, o usuário aceita tais condições.