A Luta

Simers constata que terceirização da saúde de Porto Alegre está causando desassistência e atrasos remuneratórios

03/06/2019


Superlotação no PA da Bom Jesus, verificada pelo Simers. Foto:Simers/Divulgação
Superlotação no PA da Bom Jesus, verificada pelo Simers. Foto:Simers/Divulgação

A terceirização da saúde de Porto Alegre adotado pela gestão municipal dá indícios de como será o modelo que desassiste a população. Um exemplo disso é o Pronto Atendimento da  Bom Jesus, zona Norte da Capital, onde a sala de espera permanece lotada com pacientes esperando consulta durante horas, há problemas na escala da pediatria e os médicos estão com as remunerações atrasadas desde abril. Essas deficiências foram constatadas durante a visita do Simers, na tarde desta sexta-feira (31). 

Em inúmeras vistorias em postos de saúde de Porto Alegre realizadas pelo Simers, diversos problemas graves foram constatados por conta, também, dos serviços terceirizados. Mesmo assim, os servidores não deixam de demonstrar dedicação e prestar o devido atendimento à população.  Segundo o presidente do Simers, Marcelo Matias, o discurso da prefeitura não condiz com o que está acontecendo na prática. “A gestão municipal faz propaganda dizendo que a saúde irá melhorar e o custo dos serviços serão diminuídos, mas na realidade estamos vendo desassistência”, aponta Matias. O gestor do Sindicato também garante que a entidade médica seguirá cobrando fortemente a gestão municipal por melhorias na saúde de Porto Alegre. 

Conforme informações coletadas pelo Simers, atualmente médicos dos serviços terceirizados de cerca de seis unidades estão com as remunerações atrasadas há mais de um mês, mais o Hospital Presidente Vargas (HPV). Entre os postos estão o Pronto Atendimento Cruzeiro do Sul (PACS), Bom Jesus, Modelo, e São Carlos. Existe também um chamamento público para que alguma empresa assuma a gestão da unidade da Lomba do Pinheiro, além da sinalização da prefeitura em terceirizar os serviços do Hospital Pronto Socorro de Porto Alegre. (HPS). 

Ação judicial

O modelo de gestão colocado pela prefeitura, terceirizando os serviços de unidades de saúde, está preocupando cerca de 50 profissionais que atuam nesses postos. A apreensão é por conta do impacto gerado nas atividades profissionais, na quebra da relação médico-paciente e desassistência por conhecerem a comunidade há bastante tempo. 

A pós o ajuizamento da ação do Simers contra a prefeitura para impedir o chamamento público de organizações para assumirem a gestão dos postos da Lomba do Pinheiro e Bom Jesus, o Conselho Municipal da Saúde discutiu a pauta- o que não havia ocorrido antes- e emitiu parecer rejeitando a ideia de terceirização. O Simers irá informar a decisão à Justiça.  

A ideia da prefeitura é conceder a iniciativa privada a gestão dos Prontos Atendimentos por cinco anos, prorrogáveis por mais cinco.

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