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Médicos contam como a carreira pode atrapalhar a vida pessoal

17/10/2016

Foto: KatarzynaBialasiewicz / iStock
Foto: KatarzynaBialasiewicz / iStock


A vida de médico exige sacrifícios pessoais. Entre plantões e atendimentos, não são raros os momentos em que estes profissionais têm de se afastar da própria vida pessoal para se dedicar à profissão. Foi assim para o médico e diretor do SIMERS (Sindicato Médico do Rio Grande do Sul) Germano Bonow, quando ingressou no curso de medicina, na década de 1960, com a ideia de atuar na área da saúde pública.

O objetivo fez com que Bonow fosse atuar no Amazonas, onde atendeu as populações locais das cidades de Tabatinga e Benjamin Constanza, por dois anos.

Neste período, o jovem médico teve de se afastar da família e da namorada que havia deixado em Porto Alegre. Após um ano de atendimentos no Amazonas, casou-se e levou a esposa para morar no Amazonas. A distância da família, porém, era atenuada pelas correspondências que chegavam.

"Era uma cidade muito pequena, sem comunicação. Nós não tínhamos telefone, não tínhamos luz elétrica. A única forma de comunicação era por cartas. Estas, chegavam semana sim, semana não," recorda Bonow.

A trabalheira para obter notícias da família



Em um destes momentos de expectativa por receber novidades da família, Bonow recebeu a informação de que as correspondências de toda a cidade haviam chegado por avião, porém não havia quem as buscasse. Angustiado pelo tempo em que estava sem ler novas correspondências dos pais, candidatou-se prontamente para buscar as cartas. Ao lado de um funcionário local dos Correios, arranjou uma lancha emprestada para conduzí-los ao avião.

"Chegando lá, nos deparamos com três ou quatro sacos cheios de correspondência. Continha todas as cartas da cidade", recorda Bonow.

Depois de juntar as sacolas cheias de correspondências, embarcou de volta à cidade de Benjamin Constanza, chegando só a noite. Como não havia luz elétrica, não adiantou nada buscar as correspondências naquele dia. Bonow teve que esperar mais um dia ansioso para ter notícias da família.

Organize tempo para se dedicar à família e aos amigos



Na carreira da médica e diretora do SIMERS, Clarissa Bassin diz que o planejamento na hora de estabelecer os horários e contratos foi fundamental para que a vida pessoal não fosse completamente afetada pela maratona médica. Mesmo assim, as longas horas de trabalho e a exaustão dos plantões já atrapalharam muitas formaturas e reuniões com a família e os amigos.

"É preciso muito esforço para não deixar a profissão atrapalhar a vida pessoal. Depois de uma noite de plantão, tu vais em uma festa da família. Eu estou lá, mas não completamente inteira. Seja aniversário, ou formatura, eu costumo estar presente em todos os eventos de família, mas muitas vezes é com muito sacrifício, muito cansaço", conta a diretora.

Segundo a médica, é preciso ter organização pessoal para que a carreira não atrapalhe as relações com amigos e familiares. "Sempre procurei me organizar, mas o cansaço é crônico. Na vida pessoal, o nosso cansaço é o que mais atrapalha. Esses tempos, tive que trabalhar no final de semana, e no domingo havia uma festa da família. E o sono do dia não é a mesma coisa. Então, eu estava realmente muito cansada, sonolenta. Fica chato, mas a família entende", conta Clarissa.

A emergência está lotada



Episódio 4_2

Na websérie Nascidos para Medicina, obra ficcional que retrata os desafios dos médicos na luta pela prestação da saúde de qualidade no Brasil, a emergência está lotada e há poucos médicos. Os pacientes não param de chegar e as pessoas na sala de espera ficam cada vez mais impacientes. Júlia precisa cancelar mais um compromisso pessoal para continuar atendendo os pacientes. Assista aqui.

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