Defesa

Fim de uma era de trevas?, por Paulo de Argollo Mendes

23/06/2016

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Nunca na história deste país se desvalorizou tanto uma categoria profissional como nos últimos anos. Médicos e estudantes de medicina viram sua classe ser destroçada por políticas que visavam subestimar e desorientar a população.

Em pouco mais de uma década, foram articuladas medidas com o único objetivo de massacrar um grupo para esconder o verdadeiro problema da saúde pública. Os de jaleco viraram os vilões sob a visão turva de um (des)governo, que colocou nestes a responsabilidade por todos os agravos gerados pela gestão irresponsável de recursos e forças da saúde.

Os investimentos na área não foram cumpridos, subfinanciando e colocando o Sistema Único de Saúde (SUS) em falência total, a ponto de o novo ministro da saúde declarar abertamente sobre a possibilidade de rever a abrangência do atendimento, apesar da inconstitucionalidade de tal ajuste.

Pelo menos 1,5 mil procedimentos hospitalares incluídos na tabela SUS estão com valores defasados, colocando as instituições em situação financeira gravíssima, faltando com pagamentos, cortando atendimentos e prejudicando a população.

Foi permitido que médicos estrangeiros possam atuar no país sem a necessidade de revalidação do diploma, ou seja, sem a garantia de que estão aptos para atender os cidadãos brasileiros.

A abertura indiscriminada e irresponsável de cursos de medicina, sem os devidos critérios que impõem qualidade, como corpo docente em número adequado.

A tentativa de extinguir o título de “médico” dos diplomas dos futuros profissionais, acabando com o direito de cursar pós-graduação no exterior.

O veto à proposta da criação da Carreira Nacional de Médicos, que garantiria a atuação de médicos nas regiões mais remotas.

A postura antidemocrática e prejudicial estabelecida por meio dos vetos à Lei do Ato Médico, aquela que define como função do médico diagnosticar e tratar doenças.

Há exatos 85 anos, o SIMERS começava sua história de lutas e vitórias pela categoria médica. Neste momento adverso, mas de renovação política, reafirma suas ações pela valorização e resgate da imagem do médico junto à sociedade.

 

*MÉDICO E PRESIDENTE DO SINDICATO MÉDICO DO RIO GRANDE DO SUL (SIMERS)


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