Defesa

Artigo: De quem é a responsabilidade sobre o Hospital Centenário?

29/07/2019


Há tempos a crise no Hospital Centenário, em São Leopoldo, é noticiada. Mas, afinal, de quem é a responsabilidade? De um lado, a prefeitura alega uma crise financeira oriunda das despesas mensais com o hospital – um total, segundo a gestão, de R$ 9 milhões. De outro, a direção da instituição, que afirma ter uma dívida de quase R$ 50 milhões. Os repasses do Estado também estariam distantes do que a casa de saúde deveria receber. 

No jogo de empurra do Hospital Centenário, quem sofre é a população. A restrição nos atendimentos e a redução de leitos – medidas tomadas recentemente pelo governo municipal – prejudicam quem mais precisa. Para agravar, o corte de recursos amplia ainda mais a desassistência em São Leopoldo. Desde 2016, o setor já perdeu 8% da receita para ações e serviços públicos. O hospital do município é referência para outras 18 cidades, com mais de 1 milhão de pessoas entre os Vales do Sinos, Caí e região metropolitana. Por dentro, a instituição vive o desmonte. Desde o início do ano, o Simers vem alertando a sociedade e as autoridades competentes para o quadro de falta de condições de trabalho no local. 

Atribuir todos os problemas do Centenário ao governo do Estado e à União é minimizar a questão. Reconhecemos que existem falhas no processo por parte destes dois entes, mas a gestão do hospital vem apresentando sucessivos erros nos últimos anos. Isto explica boa parte do caos na instituição.

Ao contrário daqueles que afirmam que o sindicato tem uma postura agressiva contra a direção do Hospital e a prefeitura de São Leopoldo, trabalhamos no sentido de apoiar a reestruturação do Centenário. Por outro lado, não podemos deixar de denunciar à sociedade o cenário crítico. A saúde no Brasil não recebe o tratamento que merece, mas, mesmo assim, não deixaremos de lutar pela sobrevivência do Hospital Centenário e das demais instituições de saúde do Rio Grande do Sul.

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