Defesa

Canoas: Gestão do HNSG compromete-se com demandas dos médicos rotineiros

22/03/2017

O superintendente interino do Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG), Francisco Valmor Marques de Ávila, garantiu ao Sindicato Médico do RS (SIMERS) que atenderá as demandas dos médicos rotineiros da instituição. O grupo reivindica o pagamento de valores em atraso – que superam oito meses –, readequação da carga horária e volume de atendimento, bem como migração de contrato de Pessoa Jurídica para regime CLT.

O diretor do SIMERS, Jorge Eltz, esteve no local na manhã desta quarta-feira (22) e reforçou as solicitações dos médicos, que negociam há meses a solução dos problemas. Em fevereiro, administração havia se comprometido a contratar mais dois profissionais para a área até 13 de março, mas até o momento ninguém foi contratado.  O representante do hospital admitiu o acúmulo de trabalho e assegurou que, com a readequação da carga horária e contratação de mais profissionais, a equipe contará com sete pessoas para o atendimento de 90 leitos, inclusive nos finais de semana. A medida, que será implementada no início do mês de abril, atende a expectativa dos rotineiros.

O superintendente afirmou também que verificará os valores em atraso para negociar os pagamentos. Segundo Ávila, o HNSG possui dívida de R$ 100 milhões.

Hospital Gracinha
Eltz reforçou as solicitações dos médicos. Foto: Divulgação/SIMERS


Omissão do município pode comprometer atendimento



Após o anúncio de que a prefeitura de Canoas não participará mais da gestão do HNSG, o SIMERS alerta para a crise gerencial da instituição. Para o Sindicato, a gestão municipal não pode omitir-se diante da situação vivenciada pelo hospital, que pode comprometer os mais de 500 atendimentos realizados por dia. A instabilidade na administração da mantenedora Associação Beneficente de Canoas (ABC) atingiu limites insuportáveis nos últimos meses.

No dia 16 de março, o prefeito Luiz Carlos Busato divulgou o afastamento, alegando incompatibilidade com a ABC. Segundo ele, a prefeitura identificou diferença entre o que era cobrado pelo hospital e os serviços efetivamente prestados à população. "A gestão do hospital é um caos", disse Busato.

Segundo divulgado pelo Executivo, os serviços que não forem mais feitos no Gracinha, serão transferidos para o Hospital Universitário (HU). O SIMERS alerta para a alta demanda que deve ser direcionada ao HU – que também enfrenta sérios problemas, como a falta de pagamento de salários dos funcionários, entre eles os médicos.

A ABC afirmou em nota que “compactua com o poder público sobre a necessidade de mudanças, de forma a corrigir os possíveis erros, buscando a qualificação dos atendimentos e procedimentos, bem como em encontrar alternativas que busquem recuperar o cenário financeiro atual da instituição”.

Serviços prejudicados



O SIMERS acompanha a instabilidade da gestão do Hospital Gracinha. Em 2016, negociou o pagamento de honorários médicos - alguns passavam de 28 meses. Em outubro, os médicos suspenderam os serviços eletivos por atraso nos pagamentos. Alguns especialistas pediram exoneração das funções devido ao problema. Na época, o então superintendente, Régis Marinho, alegou que a instituição possuía um déficit mensal de R$ 800 mil.

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