Defesa

Além da reposição salarial: sobrecarga e falta de leitos é constante na rotina

09/11/2016

Superlotação na emergência do Hospital de ClínicasDepois de mais de dois meses de negociação, a proposta do Sindicato dos Hospitais e Clínicas de Porto Alegre (Sindihospa) não atende a reivindicação de reajuste dos profissionais da área da saúde. Enquanto a inflação é de 9,5%, o valor oferecido é de 5%, com pagamento parcelado.

Mas a falta de reposição salarial está longe de ser o único problema enfrentado diariamente pelos trabalhadores. O número reduzido de leitos também é uma constante que dificulta o atendimento. Para se ter uma ideia, no dia 27 de outubro a emergência do Hospital de Clínicas teve 174 pacientes para 41 vagas. Não se trata de um número isolado.

Uma das consequências é a sobrecarga dos profissionais, que precisam atender um número muito superior àquele que a estrutura permite. Ao mesmo tempo, os pacientes são expostos a situações degradantes, que ferem os direitos humanos.

“Qualquer um que já tenha estado em um serviço do SUS sabe que as condições de atendimento são de indigência. São insalubres e inclusive anti-higiênicas para a população”, ressalta o presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul, Paulo de Argollo Mendes.

A superlotação também é realidade no Hospital Conceição, que conta com a maior emergência do Estado. Com 64 leitos, chegou a atender 149 pessoas em outubro. Inclusive, a entidade foi vistoriada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) no mês passado. Em entrevista coletiva, o procurador Ricardo Wagner Garcia Neto denunciou as condições precárias de saúde e segurança dos trabalhadores.

“Está tudo sobrecarregado, os médicos, os enfermeiros. Quer dizer, já são condições absolutamente insalubres e chegou ao limite de tolerância desses trabalhadores da saúde, que avisaram, pediram, tentaram e não conseguiram”, defende Argollo.

SIMERS na luta


Enquanto o sindicato patronal se mantém irredutível e não valoriza os trabalhadores da saúde com o mínimo pedido pelas categorias, que é a reposição integral, a única alternativa encontrada é a paralisação dos serviços.

A ação acontece na quarta (9) e quinta-feira (10) em todos os hospitais da base do Sindihospa, preservado tudo aquilo que a lei manda: manutenção de 30% do serviço funcionando, além de atendimentos de urgência e emergência. Venha fazer parte dessa luta você também.
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