Defesa

4 momentos em que médicos foram heróis para driblar a falta de infraestrutura

17/10/2016

A falta de infraestrutura coloca os médicos em situações delicadas. Como no episódio "O dia está só começando" da websérie Nascidos para Medicina, muitas vezes os profissionais têm que decidir entre fazer um procedimento arriscado, sem os recursos necessários, ou não fazer o tratamento - o que pode significar que o paciente não irá sobreviver.

Quando o risco de vida é iminente, muitas vezes só o improviso e a criatividade do médico podem salvar a vida do paciente. Relembre quatro casos em que médicos improvisaram para vencer a falta de estrutura básica.

Médico utiliza garrafa pet no lugar de máscara de oxigênio



Em fevereiro de 2016, Alailson Ferreira, médico do Hospital de Jutaí, no Amazonas, utilizou garrafas pets no lugar de máscaras de oxigênio para tratar dois irmãos gêmeos recém nascidos que tinham problemas respiratórios devido à prematuridade.

Os irmãos nasceram após cerca de seis meses de gestação, com problemas respiratórios e, como o hospital não possuía incubadora e estava sem máscaras de Venturi, o médico utilizou garrafas PET conectadas a um cilindro de oxigênio no lugar. Um dos bebês faleceu às 11h do dia 28, após sofrer três paradas cardiorrespiratórias. O hospital informou que o falecimento não teve relação com a falta de máscara. O outro recém-nascido, Gabriel, seguiu internado com a garrafa PET e recebeu alta no dia 31.

bebe garrafa pet
Foto: Reprodução / TV Globo


Médica utiliza balde de margarina para atender bebê com suspeita de H1N1



Outro caso parecido aconteceu em março deste ano. Um bebê de menos de um mês deu entrada na UPA da Cidade da Esperança, em Natal, com suspeita de gripe H1N1. Sem ter acesso a um CPAP (sigla em inglês para Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas) e sem conseguir transferir o bebê para um hospital, a médica isolou o paciente em uma sala da pediatria e utilizou um balde de margarina como um capacete para tratar os problemas respiratórios. Depois que o equipamento adequado foi liberado por outro paciente, o bebê foi entubado corretamente.

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Foto: Reprodução/Inter TV Cabugi


Médico utiliza lanterna para realizar cirurgia



Em julho de 2013, um médico da Santa Casa de Jacareí (SP), utilizou uma lanterna para realizar uma cirurgia de apendicite em uma menina de 10 anos. Normalmente, os cirurgiões trabalham com um aparelho chamado foco cirúrgico, que é responsável por garantir a visibilidade do local a ser operado. Como o aparelho deixou de funcionar durante o procedimento e o reserva já estava estragado, um colega teve que segurar uma lanterna tradicional para o médico finalizar o procedimento. Após a cirurgia, o médico Eduardo Capela Galeazzi publicou a foto no Facebook para expor a falta de infraestrutura do local.



Cirurgião utiliza luz de celulares para fazer laqueadura



Médicos do Hospital da Mulher de Araçatuba também tiveram problema com a iluminação durante uma cirurgia. Em 2013, a energia do local caiu durante uma laqueadura. Como o gerador do hospital não estava funcionando, a equipe ligou três celulares próximos do corte no abdômen da paciente para o cirurgião poder realizar o procedimento. A luz voltou logo após a conclusão do procedimento e a paciente não sofreu nenhum dano.

O dia está só começando



estrutura-precaria

Na websérie Nascidos para Medicina, obra ficcional que retrata os desafios dos médicos na luta pela prestação da saúde de qualidade no Brasil, Marco chega ao hospital para seu primeiro dia de residência. O primeiro caso já exige muito de sua capacidade: uma mulher esfaqueada precisa de uma punção no coração, mas não há todos os equipamentos necessários para o procedimento. Assista aqui.

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