A Luta

Governo federal despreza atenção básica ao considerar exames “desperdício”

09/05/2017 12:01

Para SIMERS, privar a população de exames é um retrocesso

  Na contramão da evolução da Medicina e de instrumentos que protegem a saúde da população, o ministro da saúde, Ricardo Barros, declarou recentemente que exames com resultado normal são desperdício para o Sistema Único de Saúde (SUS). Diante da polêmica, o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (SIMERS) esclarece que o órgão deveria se concentrar nos exames que não estão disponíveis para todos, em vez dos que obtêm resultados negativos, ou seja, não apontam alguma enfermidade. O presidente do SIMERS, Paulo de Argollo Mendes, criticou a postura do ministro. “Em vez de questionar exames que vêm negativos, ele deveria dar conta de que um dos grandes problemas do SUS em todo o país está no fato de que médicos da rede básica sequer têm acesso aos exames e isso acaba sobrecarregando as emergências”, contextualizou. Em abril, Barros afirmou que era preciso ter controle da demanda que os médicos fazem de exames, especialmente os de imagem, como ecografias e radiologias. “Se o médico solicita muitos exames que dão resultado normal, ele não está agindo de forma correta com o sistema", disse o representante do governo federal. Argollo contesta e assegura que o desenvolvimento e o avanço de aparelhos e instrumentos médicos que proporcionam diagnóstico e tratamento de doenças fazem parte de um caminho natural da área. Privar a população destes procedimentos é um retrocesso. “Em vez de colocar um engenheiro, por razões políticas, no Ministério da Saúde, tivessem colocado um médico, saberiam a importância em se pedir exames. O governo federal distorce a atenção básica, diz que valoriza o setor, mas o despreza na medida em que não permite, ou não fornece ou não disponibiliza exames subsidiados que são essenciais para que o médico possa ser mais resolutivo no seu atendimento”, garante o dirigente.
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