Evento no MUHM aborda a trajetória dos primeiros médicos negros no Rio Grande do Sul

Historiadores ministraram a palestra desenvolvida durante três anos. Foto: Guilherme Tubino/Simers

Historiadores ministraram a palestra desenvolvida durante três anos. Foto: Guilherme Tubino/Simers

Aberta ao público, a palestra “Chagas Carvalho, Arnaldo Dutra e Diógenes Baptista: a trajetória de três médicos negros Sul-Rio-Grandenses no Pós Abolição” marcou a abertura da mostra “Dr. Luciano Raul Panatieri e o protagonismo de médicos negros na história da Medicina do RS”, que ocorreu no Museu de História da Medicina do Rio Grande do Sul (MUHM), no âmbito da programação da 11º Bienal do Mercosul. Em pauta, o estudo desenvolvido pela professora e doutora em História Maria Angélica Zubaram e pelo historiador Vitor da Silva Costa sobre o protagonismo dos médicos negros do Estado. O evento, realizado na tarde desta terça-feira (10/abr), também contou com um bate-papo entre público e pesquisadores.

Na fala, a abordagem sobre a trajetória dos três médicos negros ajuda a compreender a história da Medicina do Rio Grande do Sul. Para Maria Angélica Zubaram, a pesquisa apresenta capítulos que se perderam no esquecimento. “Esse tema é de extrema importância não só para a história afrobrasileira, mas para a história da medicina brasileira no momento em que o protagonismo desses três médicos negros vem preencher um silêncio, uma lacuna que até agora prevalecia”, afirma Maria Angélica.  A professora salienta, ainda, que a iniciativa do MUHM de colocar o assunto em discussão cumpre uma função social: a de mostrar que as raízes da medicina no Estado foram mais plurais.

O estudo, que durou cerca de três anos, começou a partir de pesquisas nas edições do Jornal Exemplo, periódico voltado para a comunidade negra de Porto Alegre no final do século XIX   e início do século XX. “Na Ulbra, onde trabalho, no curso de história, formamos uma equipe de pesquisa. Digitalizamos muitos exemplares do jornal Exemplo, que era de imprensa negra em Porto Alegre, e apareceram os nomes desses médicos que chamaram nossa atenção. Então começamos a pesquisar em outras instituições médicas sobre eles”, explica a historiadora.

Convidado para fazer parte do trabalho, o historiador Vitor Costa afirma que o projeto contribuiu para sua formação acadêmica e pessoal. “Foi muito importante pra mim. Aprendi muitas coisas durante a pesquisa até mesmo para o meu TCC, que comecei desenvolvendo a partir do jornal Exemplo. Buscar essas identidades negras de maneira positiva me fez crescer também.”

Costa também destaca a relevância do estudo diante de muitos casos do preconceito que ainda permeia a sociedade. “O tema dá protagonismo àquelas pessoas que eram e ainda são vistas como minorias. Então, é fundamental trabalhar essas memórias e dar visibilidade a elas para diluir cada vez mais esses preconceitos”, destaca.

Mostra do primeiro médico negro a se formar na Ufrgs

Também Integrando a programação da 11ª Bienal do Mercosul, ocorre a mostra “ Dr. Luciano Raul Panatieri e o protagonismo dos médicos negros na história da Medicina do Rio Grande do Sul”, aberta em conjunto com a palestra. O público poderá conferir fotos, acervo pessoal e profissional de Panatieri, o primeiro médico negro graduado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), na década de 1920. A amostra fica no Museu da História da Medicina do RS até o dia 31 de maio.

O Muhm fica aberto de terça a sexta-feira, das 10h às 18h. Nos sábados e feriados, o museu funciona das 14h às 18h.