A saúde mental em números e seus desafios

De acordo com o Plano de Ação para a Saúde Mental (PASM) 2013-2020, as desordens mentais representam 13% do total de doenças no mundo. No Brasil, a realidade não é diferente. Segundo dados do DATASUS, só em 2015 foram realizadas 211.391 internações para tratamento na área. O problema é ainda maior quando analisados outros dados sobre a situação não só do país, mas também do Rio Grande do Sul.

Saúde mental: um panorama

Entre preconceitos e investimento insuficiente, a saúde mental nem sempre recebe a atenção que deveria ter. No Brasil, o número de leitos psiquiátricos oferecidos pelo SUS teve uma queda de 32,9% entre 2010 e 2016. A informação é do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES).

Já o PASM 2013-2020 aponta que entre 76% e 85% das pessoas com problemas severos de saúde mental e que vivem em países de baixa e média renda não recebem o tratamento ideal. Mesmo em locais mais ricos o índice ainda é alto e impressiona: entre 35% e 50%.

Para o psiquiatra Daniel M. Rockenbach, o primeiro desafio na área é ampliar o debate sobre o assunto, especialmente em relação ao suicídio. O tema precisa deixar de ser um tabu e passar a ser tratado como um problema de saúde que exige atenção. Mas as necessidades não param por aí.

“Não há duvidas também sobre a necessidade do aumento no número de leitos psiquiátricos e equipes especializadas. Não podemos admitir depender de uma lista de espera quando se determina uma internação”, enfatiza ainda.

O caso do Rio Grande do Sul

Com o processo de reforma psiquiátrica, ocorrido em todo o Brasil, o cuidado com o doente mental passou a ser centralizado no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Dentro do cenário nacional, Rockenbach destaca que o Rio Grande do Sul possui uma boa cobertura desses serviços (são 181 unidades). Por outro lado, o panorama passa longe do ideal.

“A dificuldade maior é o cuidado aos casos crônicos e graves. Com o fechamento numeroso e sistemático de leitos psiquiátricos, o médico se vê muitas vezes impotente diante de uma situação de risco. O número de leitos ofertados à população é inferior às necessidades da comunidade”, reitera.

Para se ter uma ideia, o psiquiatra lembra que o Rio Grande do Sul lidera o ranking dos estados brasileiros com a maior média de suicídios: 10,4 para cada 100 mil habitantes. Em um quadro como esse, a necessidade de espera pode fazer a diferença – e não um modo positivo.